quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

" BODISATIVA "

" Para mim , a beleza dos conceitos gêmeos de evolução e individualidade composta é esta : minha existência hoje , embora não redutível aos níveis mais baixos nem originais deles , todavia deles depende e se apóia nesses níveis , cujas lutas e sucessos iniciais abriram caminho para meu surgimento . Sou grato a eles por isso . Da mesma forma , eles são gratos a mim , pois , em minha própria individualidade composta , o mineral , o vegetal e o animal participam ou são parte de uma consciência mental mais elevada , algo que nunca poderiam alcançar sozinhos . Em última instância , na individualidade composta do sábio , todos os níveis inferiores tem permissão para participar em iluminação absoluta e banhar-se na glória do Espírito . O mineral , como mineral , o vegetal , como vegetal , e o animal , como animal , nunca conseguiram iluminar-se - mas o bodisativa carrega todas as manifestações com ele para o Paraíso , e o voto de bodisativa é nunca aceitar a iluminação até que todas as coisas participem do Espírito . Não há , em minha mente nenhuma concepção mais nobre que essa "
Ken Wilber - Livro - Éden queda ou ascensão - pag 404 . Edit . Verus
" Eu tenho uma grande regra : todo mundo está certo . Mais especificamente , todo mundo - eu incluso - possui alguns importantes pedaços da verdade , e todos precisam ser honrados , valorizados e incluídos em um abraço grandioso , espaçoso e compassivo "
Ken Wilber
Em seus primeiros estudos , Wilber chegou a um impasse . Deparou-se com Freud dizendo que para ser feliz você precisa fortalecer seu ego enquanto Buda ensinava que para ser feliz você deve , metaforicamente , morrer para o seu ego . Ou seja , duas afirmações aparentemente contraditórias .
Qualquer pessoa diria que Freud está certo e Buda errado ou vice-versa .
Ken Wilber
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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

" A parábola dramatizada do pão e do vinho " ( Mt 26 , 26 - 29 ; Mc 14 , 22 -25 ; Lc 22 , 18 - 20 )

Instituição da Eucaristia . Durante a ceia tomou Jesus o pão , benzeu -o , partiu - o e deu - o a seus discípulos , dizendo : " Tomai e comei ; isto é o meu corpo " .
Depois , tomou o cálice , deu graças e o apresentou aos discípulos , dizendo : " Bebei dele todos ; porque isto é o meu sangue , do testamento que é derramado por muitos , em remissão dos pecados . Digo - vos , todavia , que a partir de hoje não mais beberei deste fruto da videira , até ao dia em que convosco o beber , novo , no reino de meu Pai ".




Pela fé assimila a alma o Cristo divino

Na última ceia dramatizou Jesus a mais misteriosa de todas as suas parábolas .
Até hoje , quase 2000 anos depois , a cristandade não compreendeu devidamente a parábola do pão e do vinho .
Já na Sinagoga de Cafarnaum , como consta no capítulo 6 do Evangelho de João , havia o Mestre aludido a esse misterioso paralelo : a relação entre o alimento e a vida , por um lado - e , por outro , a pessoa física do Jesus humano e o espírito do Cristo divino .
Através de uma parábola esotérica faz Jesus ver que a essência vitalizante do espírito do Cristo só pode ser assimilada pela alma humana por meio da fé .
Que se entende por fé ?
A palavra latina fides é o radical de fidelidade , a alta fidelidade , harmonia , sintonia . Este substantivo latino não tem verbo ; de maneira que a Vulgata Latina recorreu a um verbo de outro radical , credere , crer , em vez de " ter fé " , e com isto começou a tragédia milenar da cristandade . Crer , no sentido usual , nada tem de ver com ter fé . O substantivo grego pistis , que figura no original do Evangelho do 1º século , tem o verbo pisteuein , que poderíamos traduzir por fidelizar .
Pisteuein , fidelizar , ter fé , quer dizer estabelecer perfeita fidelidade entre a alma humana e o espírito de Deus . O conhecido tópico " quem crer será salvo " é um absurdo ; mas " quem tiver fé ( fidelidade ) será salvo " é perfeitamente lógico .
Quando o homem , no plano físico , vitaliza o seu corpo pelo alimento , não transfere ele para seu organismo a substância material que ingere , mas pelo misterioso processo da digestão e assimilação , extrai da substância material da comida as " calorias " , como a ciência chama essa alma imaterial da matéria . Caloria é a energia solar que pela fotossíntese foi armazenada na substância comestível , e que , pela digestão , é extraída do alimento e transferida para o organismo humano . Caloria , a energia do calor e da luz solar - que também poderíamos chamar luceria - é algo relacionado com a vida . Essa energia solar vitaliza o corpo e lhe dá força , beleza , alegria . Se o organismo não tivesse fidelidade vital ( fides , fé ) com a energia solar , não poderia assimilar essa vibração do Sol . Um corpo morto , embora exposto à energia solar , não a assimila ; somente um corpo vivo é capaz de assimilar a energia solar ; só ele tem fides , afinidade com o Sol ; só um corpo vivo fideliza , é fiel à alma solar ; só ele é vitalizado pelo calor e pela luz do Sol .
Segundo Einstein , luz é energia descondensada , e energia é matéria descongelada .
Vida é luz altamente potencializada , vida é luz vitalizada , e por esta razão não pode a vida assimilar a matéria grosseira como tal , mas somente a alma cósmica da matéria , que é luz , luceria ou caloria imaterial .
Homens altamente intuitivos sabiam , e sabem , por uma visão interna , o que outros procuram descobrir através de laboriosas análises intelectuais . Antecipam verdades que a ciências descobre séculos e milênios mais tarde . Cerca de 3500 anos antes de Einstein , escreveu Moisés que , no primeiro yom , creou Deus a luz , e que da luz vieram todas as outras coisas . Só no século 20 provou Einstein que a luz é a base dos 92 elementos da química e de todas as coisas .
A julgar pelos relatos do Evangelho , era Jesus de Nazaré o homem mais intuitivo que a história conhece . Ele sabia , por uma visão interna , verdades que os cientistas descobrem ( ou deixam de descobrir ) milênios mais tarde .
Todo o paralelo entre o Jesus humano e o Cristo divino se baseia nessa intuição . Assim como a substância material de um alimento não pode ser assimilada pelo corpo humano se a sua parte material não for primeiro destruída pela trituração e digestão - assim o espírito do Cristo não pode ser assimilado pela alma na forma da pessoa física do Jesus humano . Ninguém pode assimilar o Jesus humano . Por isto , insiste ele em dizer : " As palavras que vos digo são espírito , são vida - a carne de nada vale " . Por isto afirma ele a seus discípulos : " Convém a vós que eu me vá ( seja destruído ) , porque , se não for , o espírito da Verdade não pode vir a vós " .
Somente um Jesus cristificado é que pode servir de alimento vitalizante às almas humanas , como aconteceu na gloriosa manhã do Pentecostes , quando 120 pessoas homens e mulheres , como refere mestre Lucas nos " Atos dos Apóstolos " , foram vitalizados pelo espírito do Cristo cósmico , chamado Espírito Santo . Quando , após 9 dias de " oração permanente " , essas 120 pessoas atingiram o máximo da sua sintonização crística , da sua fides , ou alta fidelidade , então assimilaram eles o espírito do Cristo . Durante os três anos precedentes , nenhum dos discípulos de Jesus assimilara o espírito do Cristo , porque eles só viam a pessoa humana de Jesus , do qual esperavam a proclamação da independência nacional de Israel .
Somente após 9 dias de sintonização cósmica , no cenáculo de Jerusalém , crearam eles suficiente fidelidade ou sintonização para sentir a presença do Cristo espiritual ; mesmo na ausência do Jesus material , sentiram e viveram a metafísica para além da física .
Essa manhã de domingo do ano 33 , no décimo dia após a ascensão , marca o início do verdadeiro Cristianismo , o despertar do Cristo nas almas de seus discípulos .
Já um ano antes , como refere João no seu Evangelho , capítulo 6 , na Sinagoga de Cafarnaun , retificara Jesus o equívoco dos ouvintes de que devessem comer a carne dele . A esse equívoco respondeu o Mestre : " As palavras que vos digo são espírito e vida , a carne de nada vale " , por sinal que toda a referência à " carne " dele , como alimento , é uma alegoria simbólica . É pela fé no Cristo , espírito e vida , que o homem comunga o seu corpo e sangue , como revelou o grandioso acontecimento de Pentecostes , onde 120 pessoas , homens e mulheres , depois de 9 dias de meditação e silêncio , comungaram o Cristo carismático .
Em quase 2000 anos , as igrejas cristãs não foram capazes de vislumbrar esta grande verdade , ainda que cristãos individuais a tenham vivido em todos os séculos . As igrejas - quiça por motivos humanos - se agarraram ao símbolo material do pão e do vinho , do corpo e do sangue do Jesus humano , e não compreenderam o simbolizado espiritual do Cristo divino . Os teólogos excogitaram o dogma da transubstanciação do pão e do vinho no corpo e sangue de Jesus - como se o corpo e o sangue do Jesus humano , fisicamente ingeridos pelo comungante , pudessem espiritualizar a alma . Para assimilar o espírito do Cristo não é necessária nenhuma ingestão física , mas sim a sintonização metafísica , a fides , ou alta fidelidade , entre a alma humana e o espírito do Cristo . Aliás , dos 120 cristificados presentes na manhã do primeiro Pentecostes , apenas 11 haviam ingerido o pão e o vinho na Santa Ceia ; os outros 109 comungaram o Cristo espiritual na ausência do Jesus material ou seus símbolos . E todos esses 120 Cristo-comungantes foram as primícias do verdadeiro Cristianismo . Nenhum deles traiu o Mestre , nenhum deles o negou , nenhum deles fugiu covardemente ; pelo contrário , diz o livro dos " Atos " , quando foram flagelados em praça pública pelo fato de anunciarem o Cristo , retiraram-se exultando de júbilo por terem sido achados dignos de sofrerem por amor ao Cristo .
Haviam comungado o Cristo Carismático , em espírito e verdade .


* * *

Vai nesta parábola , embora veladamente , outro aspecto : não pode o nosso ego humano conscientizar o Eu divino se aquele não for devidamente desintegrado , assim como o alimento só se integra na vida do corpo depois de ser desintegrado .
" Se o grão de trigo não morrer ficará estéril , mas se morrer produzirá muito fruto . "
" Eu morro todos os dias , e é por isto que eu vivo , mas já não sou eu que vivo , o Cristo é que vive em mim . "
A rainha das parábolas de Jesus é , sem dúvida , esta , embora o grosso da cristandade não esteja ainda em condições de compreendê-la .
Possivelmente , daqui a mais 20 séculos , lá pelo ano 4000 , a cristandade compreenderá a mística desta parábola do pão e do vinho .
Por ora , a cristandade terá de contentar-se com o corpo do símbolo material , sem compreender a alma do simbolizado espiritual .
Por ora , o corpo exotérico da Santa Ceia eclipsa a alma esotérica do Pentecostes .
Por ora , teremos de repitir isto " em memória de Jesus " , " até que o Cristo venha " , como Paulo de Tarso escreve aos cristãos do primeiro século .
Mas após a vinda do Cristo divino , pela comunhão carismática , cessará o símbolo da comunhão eucarística do Jesus humano .
E então compreenderemos o que o Mestre quis dizer com as palavras finais da Santa Ceia : " Não mais beberei deste fruto da videira até o dia em que convosco o beber , novo , no Reino de meu Pai " .
Maran-atha !
Vem , Senhor !


* * *

Em síntese elucidativa :
Após a suposta primeira missa , ordenação sacerdotal e primeira comunhão , os doze apóstolos de Jesus cometeram os atos mais vergonhosos e anticrísticos da sua vida : um deles consumou a planejada traição , o diabo entrou nele e ele se suicidou ; outro neo-sacerdote e neocomungante , que parecia o chefe da turma , negou descaradamente o Mestre , jurou que não era discípulo dele e rogou pragas sobre si ; e todos esses supostos neo-sacerdotes e neocomungantes fugiram covardemente , com medo do sofrimento , à exceção de um só .
E , o que é totalmente incompreensível , Jesus , depois da ressurreição , não estranhou esse vergonhoso procedimento dos seus discípulos , nem os repreendeu por isto - por sinal que nenhum efeito espiritual esperava dessa suposta primeira missa , ordenação sacerdotal e primeira comunhão .
A mais comezinha lógica nos obriga a não aceitar o que uma teologia quase bimilenar impingiu à cristandade como sendo a verdade do Evangelho .
Não houve , no cenáculo da quinta-feira santa , nenhuma primeira missa de Jesus , não houve ordenação sacerdotal , não houve transubstanciação do pão e do vinho , não houve primeira comunhão dos apóstolos .
O que ocorreu foi uma parábola dramatizada , cujo simbolizado espiritual se cumpriu na gloriosa manhã do Pentecostes , quando 120 pessoas , homens e mulheres , como refere Lucas nos " Atos dos Apóstolos " , comungaram realmente o Cristo Carismático , em espírito e verdade .


* * *

A explicação que acabamos de dar dos eventos da Santa Ceia em forma de parábola é indubitavelmente exata . Se assim não fosse , se os 12 discípulos de Jesus tivessem sido ordenados sacerdotes e comungado realmente a carne e o sangue de Jesus , seria absolutamente incompreensível , repetimos , o que aconteceu logo depois dessa suposta ordenação sacerdotal e primeira comunhão : traição , suicídio , negação , juramento falso , blasfêmia , fuga covarde dos apóstolos - um caos de paradoxos , um inferno de pecados ...
E tudo isto sem que Jesus estranhasse com uma só palavra esse efeito flagrantemente negativo e contraproducente em seus discípulos ...
É , pois fora de qualquer dúvida , que não houve nenhuma primeira missa , ordenação sacerdotal e primeira comunhão no cenáculo da quinta-feira santa .
Mas como então justificar a interpretação tradicional de certa teologia ?
Essa teologia tradicional é mais ou menos compreensível em face de uma humanidade incapaz de compreender o simbolizado espiritual de uma parábola profundamente metafísica e mística . A cristandade dos primeiros séculos era quase totalmente composta de escravos do Império Romano e povos bárbaros - godos , vândalos , hunos etc . - que invadiram o decadente Império dos Césares , povos mental e espiritualmente analfabetos , dos quais não se podia esperar compreensão , mas de que se devia exigir obediência a seus chefes espirituais . Uma ingênua pedagogia infantil era para esses neófitos mil vezes mais importante do que a grandiosa metafísica da verdade do Evangelho .
Se a mensagem de Jesus tivesse sido difundida , de início , pelos países do Oriente - Índia , China , Japão etc . - de avançada cultura metafísica e espiritual , completamente diferente teria sido o destino histórico e teológico do nosso cristianismo . Em nenhum dos países orientais existe , até hoje , segundo estatística oficial , 1% de cristãos , a despeito de séculos de trabalhos missionários . Fala por todo o Oriente Mahatma Gandhi , que dizia aos missionários cristãos que tentavam convertê-lo ao nosso cristianismo : " Aceito o Cristo e seu Evangelho - não aceito o vosso cristianismo " .
Fala ainda , em nome do Oriente cristão , Albert Schweitzer , quando escreve : " Nós injetamos nos homens o soro da nossa teologia , e quem é vacinado com o soro da teologia cristã está imunizado contra o espírito do Cristo " .
É que o nosso cristianismo teológico foi , desde o princípio , padronizado para uma humanidade espiritualmente infantil - e , estranhamente , até hoje não ultrapassou ainda esse padrão primitivo .
Para certa igreja cristã , o maior teólogo é Tomás de Aquino , que codificou quase toda a teologia tradicional do Ocidente ; mas esse mesmo teólogo , depois de escrever a Summa Theologiae e a Summa Contra Gentiles , teve uma visão ou revelação , depois da qual nunca mais escreveu uma palavra , e , interrogado pelo motivo desse silêncio , respondeu : " Tudo o que escrevi é palha " .
Entretanto , essa " palha " continua a ser o alimento de centenas de milhões de cristãos como sendo verdade divinamente revelada . Possivelmente , o " príncipe da teologia medieval " , se reaparecesse , aplaudiria a explicação que estamos dando dos eventos da Santa Ceia .
A comunhão do Cristo Carismático , ocorrida na gloriosa manhã do primeiro Pentecostes , em Jerusalém , é perfeitamente aceitável para qualquer homem , ao passo que a suposta comunhão eucarística do corpo e sangue de Jesus na Santa Ceia não será jamais aceita por nenhum homem sinceramente espiritual .
Não afirmamos que os nossos teólogos tenham agido de má-fé .
A cristandade dos primeiros séculos , depois de sair das catacumbas , necessitava , repetimos , mais de uma pedagogia teológica do que de uma metafísica crística - mas não se compreende por que essa pedagogia primitiva seja mantida em plena adultez da cristandade do século 20 . Por que não dizer à cristandade do nosso século o que o principal codificador dessa pedagogia teológica confessou explicitamente que tudo o que escreveu é palha ?
Não disse o Mestre : " Conhecereis a verdade , e a verdade vos libertará " ?
Hoje , no ocaso do Segundo Milênio da Era Cristã , e quase na alvorada do Terceiro Milênio , a elite espiritual da humanidade espera que lhe seja proclamada a verdade libertadora da mensagem do Cristo . Se , segundo as palavras de Paulo de Tarso , é necessário dar leite aos infantes em Cristo , por que não dar aos adultos em Cristo comida sólida ?
O simbolizado espiritual da parábola do pão e do vinho eclodiu na gloriosa manhã do primeiro Pentecostes , quando 120 heróis e heroínas comungaram o espírito do Cristo Carismático e iniciaram a epopéia do verdadeiro cristianismo .
Essa iniciação crística se deu no ano 33 após 9 dias de silêncio e interiorização espiritual , no cenáculo de Jerusalém , que pode ser considerado como o primeiro ashram ou Santuário de Iniciação da Cristandade .
Se a humanidade do Terceiro Milênio quizer realizar a mensagem do Cristo , terá de encontrar o seu Cristo interno em profunda meditação e comungar o Cristo Carismático em espírito e em verdade - e então será proclamado o Reino de Deus sobre a face da Terra e haverá um novo céu e uma nova terra .
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Ainda uma pergunta final , para sincero exame de consciência : teriam os nossos teólogos sustentado , através de séculos , o dogma da transubstanciação eucarística , se esse suposto milagre não fosse monopólio exclusivo deles e a base de todo o seu poder e prestígio ?
Não teriam eles concordado com Tomás de Aquino , o maior defensor da transubstanciação , confessando : " Tudo o que escrevemos é palha " ?
Texto : Huberto Rohden
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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

" Os talentos " ( Mt 25 , 14-30 ; Lc 19 , 11-28 )

Os cinco talentos . Acontecerá como a certo homem que estava prestes a partir para terras longínquas . Chamou os servos e lhes confiou seus bens . A um deu cinco talentos , a outro dois , ao terceiro um , a cada um segundo a sua capacidade . E partiu imediatamente .
Ora , o que recebera cinco talentos , logo entrou a negociar com eles , e ganhou mais cinco . Do mesmo modo , o que recebera dois talentos ganhou mais dois . Mas o que recebera um talento foi-se e enterrou o dinheiro do seu senhor .
Passado muito tempo , voltou o senhor daqueles servos e os chamou a contas . Apresentou-se o que tinha recebido cinco talentos , trouxe mais cinco talentos e disse : Senhor , entregaste-me cinco talentos ; eis aqui mais cinco talentos , que ganhei .
Muito bem , servo bom e fiel - respondeu-lhe o senhor - , já que foste no pouco constituir-te-ei sobre o muito ; entra no gozo de teu senhor .
Apresentou-se o que tinha recebido os dois talentos e disse : Senhor , entregaste-me dois talentos ; eis aqui mais dois talentos , que ganhei .
Muito bem , servo bom e fiel - respondeu-lhe o senhor - , já que foste fiel no pouco constituir-te-ei sobre o muito ; entra no gozo de teu senhor .
Apresentou-se por fim o que recebera um talento e disse : Bem te conheço , senhor , és homem rigoroso , colhes onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste . Pelo que tive medo de ti e fui enterrar o teu talento ; aí tens o que é teu .
Respondeu-lhe o senhor : Servo mau e preguiçoso ! sabias que colho onde não semeei , e junto onde não espalhei ; devias , por conseguinte , colocar o meu dinheiro no banco , e eu , na minha volta , teria recebido com juros o meu capital . Tirai-lhe , pois o talento , e entregai-o a quem tem os dez talentos . Porque , ao que tem dar-se-lhe-á , e terá em abundância , mas ao que não tem , tirar-se-lhe-á até aquilo que possui . A esse servo inútil , porém , lançai-o às trevas de fora ; aí haverá choro e ranger de dentes .


Apoteose do poder creador do livre-arbítrio


O Reino dos Céus é semelhante a um homem que , em vésperas de empreender longa viagem , chamou seus servos e lhes distribuiu o seu dinheiro para negociarem com ele , em sua ausência .
Ao primeiro servo entregou 5 talentos . Talento era uma moeda grega que equivalia a cerca de 10 mil cruzeiros nossos ; quer dizer , o primeiro servo recebeu cerca de 50 mil cruzeiros para negociar .
Ao segundo servo deu 2 talentos , cerca de 20 mil cruzeiros .
Ao terceiro servo deu 1 talento , ou 10 mil cruzeiros nossos .
Deu-lhes ordem que negociassem com esses cabedais até que ele voltasse da viagem .
E partiu .
Depois de muito tempo , regressou da viagem e chamou à conta os três servos . O primeiro se apresentou prontamente e disse : " Os teus cinco talentos renderam cinco ; eis aqui dez talentos " . Respondeu-lhe o senhor : " Muito bem , servo bom e fiel , porque foste fiel no pouco constituir-te-ei sobre o muito ; entra no gozo do teu senhor " .
Aparece o servo que recebera 2 talentos e apresenta 4 , repetindo quase as mesmas palavras , e ouve do seu senhor a mesma resposta .
Finalmente aparece o terceiro servo , que recebera apenas um talento , e faz um longo discurso sem entregar nada de seu , mas devolvendo apenas o talento recebido . O discurso futil dele é o seguinte : " Bem te conheço , senhor ; tu és um senhor severo , colhes o que não semeaste e ajuntas o que não espalhaste ; por isso tive medo de ti e enterrei o teu talento - aqui o tens " .
Este servo recebeu de Deus a sua creaturidade , como os outros , enterrou-a , e devolveu-a tal qual , sem lhe acresentar nada da sua creatividade humana ; devolveu o que recebera de Deus , sem nada lhe acresentar de seu próprio . E é terrível a resposta do senhor : " Servo mau e preguiçoso ! Com tuas próprias palavras eu te condeno ; se tu sabias que eu colho o que não semeei e ajunto o que não espalhei , por que não fizeste frutificar o talento que te dei , para que eu o recebesse com juros ? Tirai-lhe o talento que tem , porque quem tem receberá mais e terá em abundância ; mas quem não tem perderá até aquilo que tem " .
Assim diz literalmente o texto grego . Mas o tradutor da Vulgata Latina diz : " Quem não tem perderá aquilo que parece ter " ( quod videtur habere ) . Evidentemente , o tradutor achou por demais absurda a frase " quem não tem perderá até aquilo que tem " , e suavizou o texto dizendo " que parece ter " que é o sentido oculto , embora não seja o texto explícito . Esta modificação foi feita no texto de Mateus ; mas no texto paralelo de Lucas , o tradutor reproduziu exatamente o texto grego : " Quem não tem perderá até aquilo que tem " . Ninguém possui realmente aquilo que recebeu , mas somente aquilo que ele mesmo creou .
Aqui poderíamos citar , como equivalente , as conhecidas palavras de Goethe : " Was du ererbt von deinen Vaetern , erwirb es , um es zu bezitzen " ( o que herdaste de teus pais adquire-o para o possuíres ) .
De fato , não possuímos realmente o que apenas herdamos ou recebemos de outrem ; só possuímos realmente aquilo que adquirimos ou conquistamos com o poder creativo do nosso livre-arbítrio . A nossa creaturidade nos foi dada por Deus , e por isso não é realmente nossa ; somente é nosso , profundamente nosso , aquilo que creamos com o poder do nosso livre-arbítrio , com a nossa genuína e autêntica creatividade humana .
Os dois primeiros servos não devolveram ao senhor apenas a creaturidade , que dele haviam recebido ; mas ofereceram-lhe algo genuinamente deles , o produto da sua própria creatividade . E é por isto que são chamados " servos bons e fiéis " , e entram no gozo de seu senhor . Estes dois servos se auto-realizaram , como diríamos em linguagem moderna . Os segundos cinco e dois talentos não são do senhor , mas são desses servos auto-realizados . O que os teólogos chamam " salvação " tem de ser transformado hoje em dia em " auto-realização " ; não existe alo-redenção , só existe auto-redenção , auto-realização , que é o despertar das potencialidades latentes na alma humana até a sua total atualização .
O terceiro servo , que devolveu apenas a sua creaturidade , sem um vestígio de creatividade , é chamado " servo mau e preguiçoso " e , pior de tudo , perdeu aquilo que tinha recebido , mas não era seu a sua creaturidade . Perdeu a sua potencialidade creativa , porque não a atualizou em Realidade creadora . Perdeu o seu livre-arbítrio , a sua natureza humana , que sem livre-arbítrio deixa de ser humana . Degradou-se a um infra-homem , deixou de ser homem . Sucumbiu à " morte eterna " da sua individualidade humana . Quem tem creaturidade humana , mas não a transforma em creatividade pelo poder de seu livre-arbítrio , esse perderá até a sua creaturidade humana . As leis eternas da Constituição Cósmica ( ou Divina ) não dão potencialidade a um ser que não as trasforme em atualidades , durante o ciclo total da existência da creatura , ciclo evolutivo que , certamente , não compreende apenas os poucos decênios da vida terrestre . Se o homem , durante o ciclo total da sua existência , terrestre e extraterrestre , não se realizar ele se des-realiza ; se não se integrar no Infinito , ele se desintegra , perde a sua individualidade .
Os dois primeiros servos foram " fiéis no pouco " , nas suas potencialidades creaturais , e por isto receberam " o muito " , o resultado das suas realidades creadoras .
Neste sentido , escreveu um filósofo europeu de nossos dias : " Deus creou o homem o menos possível , para que o homem se possa crear o mais possível " .
Esta parábola é uma apoteose da onipotência do livre-arbítrio humano . O homem , quando sai das mãos de Deus , não é realizado , mas apenas realizável . Está aqui na Terra , ou em outros mundos , para realizar plenamente a sua natureza realizável . Se realizar-se , é servo bom e fiel e entra no gozo do seu senhor , integra-se na Divindade pela imortalização individual . Se não realizar a sua natureza realizável , neste ou em outros mundos , acaba por se des-realizar ou aniquilar .
A parábola dos talentos pode ser considerada como sendo a quintessência da metafísica cósmica do Evangelho do Cristo . Há quase 2000 anos que a mensagem do Cristo é mencionada pelas igrejas como se fosse uma teologia , quando , na realidade , é a maior Filosofia Univérsica que já apareceu sobre a face da Terra .
Há quem negue a possibilidade de o homem sucumbir à morte eterna , a uma extinção definitiva , porque , dizem , a alma é imortal .
Entretanto através de todo o Evangelho consta essa possibilidade .
A alma não é imortal , mas é imortalizável . A imortalidade potencial é um presente de berço , mas a imortalidade atual é uma conquista da conciência . A alma imortalizável se imortaliza pelo poder creador do livre-arbítrio .
É esta a grandiosa mensagem da parábola dos talentos .
Texto : Huberto Rohden
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domingo, 26 de dezembro de 2010

" Os Convidados ao Banquete " ( Lc 14 , 15 - 22 )

Parábola do grande banquete . Ouvindo isto um dos convivas , disse-lhe : " Feliz de quem se banquetear no reino de Deus ! "
Tornou -lhe Jesus : " Um homem preparou um grande banquete e convidou muita gente . Chegada a hora do banquete , enviou seu servo a dizer aos convidados : Vinde , está pronto ! Mas , todos a uma começaram a escusar-se . Disse-lhe o primeiro : Comprei uma quinta , e preciso ir vê -la ; rogo -te me tenhas por escusado .
Outro disse : Comprei cinco juntas de bois , e vou experimentá - los ; rogo - te me tenhas por escusado . Um terceiro disse : Casei - me , e por isso não posso ir .
Voltou o servo e referiu isto a seu senhor . Indignou - se o dono da casa , e ordenou a seu servo : Sai depressa pelas ruas e becos da cidade , e conduze - me aqui os pobres , os aleijados , os cegos e os coxos .
Senhor - notificou o servo - , está cumprida a tua ordem , e ainda há lugar .


A futilidade das desculpas dos profanos em face das coisas divinas


A parábola dos Convidados ao Banquete forma a segunda parte da parábola da " Festa Nupicial " que um pai fez a seu filho .
O divino Esposo , o Cristo Cósmico , realizou as suas núpicias místicas com a natureza humana de Jesus de Nazaré . Na pessoa de Jesus encontrou o Cristo uma esposa inteiramente fiel , de maneira que nele a humanidade individual está perfeitamente remida . Mas em outras pessoas da natureza humana não encontrou o Cristo a mesma fidelidade . As excusas e pretextos que os convidados às núpicias crísticas alegam mostram os motivos por que estes convidados ao banquete espiritual não atenderam ao convite : estas pessoas humanas têm outros amores e outros amantes ; não têm fidelidade ao Cristo Esposo .
As excusas ou pretextos desses infiéis continuam a ser os mesmos através dos séculos e milênios : propriedade material , prazeres sensuais e divertimentos sociais - esse panteão dos ídolos humanos impede a aceitação do convite ao banquete nupicial do Cristo .
A parábola do banquete régio e dos seus convidados focaliza magistralmente a mentalidade de todos os profanos de todos os tempos e países , mostrando as excusas e os pretextos fúteis com que os mundanos se recusam a aceitar o convite para entrarem no Reino de Deus aqui na terra .
O primeiro convidado pede que seja excusado de comparecer ao banquete porque comprou uma quinta e precisa ir vê - la .
Não será uma excusa mentirosa ? Ninguém compra um sítio às cegas , sem o ter visto antes de o comprar .
O sengundo pede seja excusado porque comprou cinco juntas de bois e vai experimentá - los.
Também esta excusa é mentirosa ; ninguém compra cinco juntas de bois sem os experimentar antes de os comprar .
O terceiro nem sequer pede excusas , mas responde bruscamente que não pode comparecer porque se casou .
Este , pelo menos , não mentiu ; não julga necessário pedir excusas por não aceitar o convite ; casou - se , tem baile em casa , vai viajar em lua - de - mel - e como poderia ainda interessar-se por coisas espirituais ?
Negócios agropecuários , prazeres carnais e divertimentos sociais - estas três coisas enchem de ídolos o panteão dos profanos , que não podem interessar-se por um ideal superior . Falta-lhes o sabor pelas realidades espirituais do Eu divino ; as facticidades e futilidades do ego humano enchem toda a vida deles .
Em face dessa negação da parte dos ricos e gozadores , são convidados os pobres e sofredores de toda espécie - e estes aceitam de boa vontade o convite e comparecem ao banquete do Reino de Deus .
É experiência milenar que o homem satisfeito consigo mesmo não pode compreender as coisas espirituais ; sofre do mal profundo de uma infeliz satisfação consigo mesmo . Para ter fome e sede do mundo superior , deve ele entrar na zona de uma feliz insatisfação consigo mesmo ; deve sentir uma inquietude metafísica ; deve sangrar duma dolorosa ego-vacuidade e suspirar por uma cosmo-plenitude .
Só depois daquela infeliz satisfação e após esta feliz insatisfação pode o homem entrar , finalmente , na nova e desconhecida dimensão de uma feliz satisfação .
Somente a ego-vacuidade preludia a cosmo-plenitude . O Reino de Deus não é para os egos-plenos , mas somente para os egos-vácuos ; só estes serão plenificados pela Teo-plenitude .
" Bem - aventurados os que têm fome e sede da verdade , porque eles serão saciados . "
" Bem - aventurados os pobres pelo espírito , porque deles é o Reino dos Céus . "


* * *

" Conduze aqui os pobres , os aleijados , os coxos , os cegos " .
Aos olhos dos profanos , os homens espirituais são cegos , coxos , aleijados , pobres , o rebotalho da sociedade . Quem não corre atrás de bens materiais , prazeres carnais e divertimentos sociais é considerado um tolo , digno de compaixão . E foram precisamente estes que aceitaram de boa vontade o convite ao banquete régio .
No seu livro Tao Te Ching , diz o grande pensador chinês Lao-Tse , retratando a mentalidade dos profanos do seu tempo , e de todos os tempos :

" Quem é iluminado por dentro ,
Parece escuro aos olhos do mundo .
Quem progride interiormente ,
Parece ser um retrógrado .
Quem é auto-realizado ,
Parece um homem imprestável .
Quem segue a luz interna ,
Parece uma negação para o mundo .
Quem se conserva puro ,
Parece um bobo e simplório .
Quem é paciente e tolerante ,
Parece um sujeito sem caráter .
Quem vive de acordo com o seu Eu espiritual ,
Passa por um homem enigmático " .
Texto : Huberto Rohden
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sábado, 11 de dezembro de 2010

" Natal de 2010 "

" Celebre a vinda de Cristo à Terra , com a percepção da divina Consciência Crística que estava manifestada em Jesus , renascendo no berço de seu próprio despertar espiritual ( . . . ) . "


Paramahansa Yogananda






Meus queridos ,



Ao celebrarmos o nascimento da Consciência Crística na forma do abençoado Senhor Jesus , que seus corações sejam mais uma vez inspirados pela alegria e esperança sentidas de modo tão intenso durante esta época sagrada . A vinda de grandes mestres , que refletem puramente a luz de Deus , fortalece nossa certeza de que também podemos experimentar um renascimento - passando de uma existência materialista à natureza ilimitada de nossas almas . Neles contemplamos nosso próprio potencial infinito para expandir a consciência , manifestando a bondade e o amor de Deus em nossa vida individual e em nosso relacionamento com os outros .
Embora séculos se tenham passado desde o nascimento de Jesus , o poder de seu exemplo e de seu amor onipresente continua a transformar almas receptivas . Também ele viveu numa época de muito tumulto e discórdia , mas nos demonstrou o modo de reagir divinamente - sintonizando-nos com o Pai Celestial a ponto de podermos sentir o mesmo que Ele sente e podemos nos elevar acima das dualidades deste mundo para encontrar paz em nosso interior , tornando-nos doadores de amor e de paz aos outros . Concentrando-se na vida de Cristo e esforçando-se por imitar as qualidades que ele expressou , vocês abrirão seus corações para absorver mais profundamente o espírito manifestado por ele e por todas as almas unidas a Deus . O poder que sustenta o universo preenchia seu ser ; todavia , ainda maior era sua humildade , que lhe permitiu expressar com perfeição a vontade divina e o amor de Deus . Enquanto vivemos confinados pelas necessidades e opiniões de nosso ego , facilmente criamos barreiras que nos separam de Deus e dos outros . Contudo , quando pensamos menos no pequeno eu , tornamo-nos mais receptivos à sabedoria divina em suas diversas formas de expressão , expandindo , assim , nossa compreensão e benevolência . Confiante no amor do Pai Celestial , Cristo estava livre de qualquer anseio por posição ou reconhecimento externo . Ele procurava apenas servir - e , ao fazermos o mesmo , podemos conhecer , tal como ele , a alegria de dar . Cristo percebia Deus em todos , até naqueles que haviam errado , pois contemplava o verdadeiro Eu , para além das falhas humanas . Nós também podemos praticar a atitude generosa e desprovida de críticas que surge com a compreensão de que " Meu Deus está naquela alma " .
Cada ação altruísta expande nossa consciência , mas é quando entramos no templo do silêncio , onde cessam os pensamentos inquietos e as emoções , que podemos vivenciar plenamente a " paz que transcende todo o entendimento " , o amor infinito que Cristo sentiu - o amor com o qual Deus está atraindo todas as almas de volta para Ele . Tal profundidade de comunhão interior surge gradualmente , mas cada esforço pode trazer à nossa vida maior tranquilidade , empatia e proximidade de Deus . Gurudeva assegurou-nos que , se perseverar-mos poderemos alcançar " uma comunhão de indizível doçura com a Graça Infinita , a Glória Indescrítivel , a Proteção Eterna " . Essa é a dádiva inestimável que Deus oferece nesta época do Natal . Que ela seja o início de um exultante despertar espiritual , e uma ocasião para compartilhar com os demais a compreensão e o amor universal de Deus .


Um Natal abençoado para vocês e os que lhes são caros ,



PAI NOSSO

Interpretação de Paramahansa Yogananda


Pai Celestial , mãe , amigo , Bem-amado Deus ! Que a nossa repetição silenciosa e incessante de Teu santo nome nos transforme à Tua semelhança .

Inspira-nos para que nossa adoração à matéria se transforme em adoração a Ti . Por meio de nossos corações purificados , venha à terra o Teu reino perfeito e sejam todas as nações liberadas da miséria . Que a alma livre em nosso interior se manifeste exteriormente .

Que a nossa vontade se torne mais forte ao vencer os desejos mundanos e sintonize-se afinal com Tua vontade perfeita .

Dá-nos o pão de cada dia : alimento , saúde e prosperidade para o corpo ; eficiência para a mente ; e acima de tudo , Teu amor e sabedoria para a alma .

Tua lei diz : " Com a mesma medida com que medirdes , também vos medirão . " Que possamos perdoar aqueles que nos ofendem , sempre atentos à nossa própria necessidade de Tua imerecida misericórdia .

Não nos deixe no abismo de tentações , em que caímos por termos abusado da razão que Tu nos deste . Se for Tua vontade submeter-nos a provas , ó Espírito , permite-nos compreender que és mais tentador do que qualquer tentação terrena .

Vem em nossa ajuda para que nos livremos dos laços sombrios do único mal : ignorar-Te .

Porque Teu é o reino , o poder e a glória , para sempre .

Amém .
Mateus 6 : 9 - 13 e Lucas 11 : 2 - 4 .
Texto : Sri Daya Mata
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

" Há um lugar sagrado dentro de você "

Insisto em dizer que vivemos um momento especial de nossa humanidade . O momento da conscientização de que somos , antes de qualquer coisa , seres espirituais . Por mais voltada que nossa sociedade esteja voltada à aquisição de matéria , afirmo que cada um de nós busca incansavelmente essa porção espiritual que vive dentro de nós e tenta desesperadamente fazer parte de nossas vidas , de nosso dia-a-dia .
Somos seres espirituais , todos temos potencialidades espirituais . Todos nós , de uma forma ou de outra , já pudemos viver a experiência de Deus . De nada importa qual o rosto de seu Deus , o que importa é a experiência de Deus dentro de você . Todos , de uma forma ou de outra , já experimentaram a força do " invisível " em suas vidas .
Participamos da divindade a cada dia que passa , quando abraçamos nossos filhos ou fazemos amor com nosso companheiro . Quando olhamos para o céu e sentimos em um olhar a eternidade , quando sentimos o perfume da natureza ou simplesmente quando nos entregamos à preguiça merecida de um dia de sol em um final de semana .
O que sentimos nesses momentos faz parte do verdadeiro sentido da vida . É nesses momentos de entrega que podemos sentir a energia de Deus atuando em nossas vidas . Deus é a própria energia que emana quando sentimos um conforto imensurável e impossível de colocar em palavras . Essa é a experiência de Deus , da eternidade de Deus . E é dessa experiência que brota a certeza de sua existência ; é dessa fonte que nasce e se perpetua a fé .
Sem a experiência de Deus , a fé se reduz a um conceito racional , que nasce a partir de leis e regras impostas e criadas pelo homem e não de nossa alma . A verdadeira energia da vida está na experiência do estar e sentir-se vivo .
Nesse momento somos um com todo o Universo , com todos os humanos , animais , plantas , o Planeta e tudo o que é vivo .
Quando vivemos a experiência de Deus a vida adquire um novo sentido .
Aprendemos desde crianças que Deus é um homem velho de barbas longas , que nos observa atentamente esperando um tropeço para nos punir .
Infelizmente ainda há muito dessa imagem de Deus no inconsciente coletivo da humanidade . Mas isso está mudando . E cada vez mais Deus será vivido e experimentado diariamente , em nosso trabalho , em nossos relacionamentos e em nossas aquisições materiais . Nossa sociedade aprendeu que espírito e matéria são coisas opostas e antagônicas , que nunca podem conciliar-se .
É chegado o momento de unir toda energia necessária ao nosso crescimento e saber que todo Universo conspira a nosso favor . Isso tudo faz parte de um grande plano divino . O crescimento e a evolução de toda uma raça em direção à luz maior , que é o Deus em nossos corações e no coração de cada centelha de vida deste Universo .
Se você ainda não percebeu que existe um lugar sagrado dentro de você , é porque ainda não parou para ouvir o silêncio em seu coração . E minha proposta a você é que pare agora . É que a partir deste momento você comece a olhar para sua vida e para a vida de tudo e todos à sua volta e perceba o sagrado dentro de cada ser .
Medite , contemple , sinta o perfume das flores , de seus filhos , sua mulher ou marido . Ouça a música inaudível que toca sem parar no coração dos que você ama . Olhe para cada pessoa que se aproxima de você como um ser especial que busca a mesma coisa que você : o sagrado dentro de si .
Somente quando puder sentir e enxergar além do que nossos sentidos limitados sentem quando imersos na loucura que criamos em nossas vidas você saberá que este é o maior momento que nós , seres humanos , já experimentamos em toda nossa história .
Texto : Eunice Ferrari
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

" O estado meditativo nos leva à consciência cósmica "

Há algumas semanas venho falando da consciência cósmica e gostaria de continuar esclarecendo alguns pontos importantes para o conhecimento e a prática espiritual . Todos sabemos que a consciência humana possui um atributo especial chamado memória . Em se tratando da consciência cósmica , podemos dizer que ela possui também o mesmo atributo . No entanto , a dimensão dessa memória passa a ser universal e nela está contido tudo o que se passou no universo e com a humanidade desde o início dos tempos . Essa memória é chamada de memória cósmica e em sâncrito é designada de Akasha .
Ela , na verdade , é um arquivo que o universo possui e que contém todos os registros da história . Passado , presente e possibilidades futuras são registradas nesse imenso arquivo . Quando nos harmonizamos com a memória universal , podemos ter acesso a esse arquivo e entrar em contato com todos os eventos que marcaram a história da evolução da vida de toda humanidade .
Muitos mestres e seres de grande luz puderam , através da prática da meditação , adentrar esses arquivos e conhecer um pouco mais de nossa história . Muitos livros foram escritos baseados em histórias registradas pelos arquivos akáshicos . Isso tudo pode parecer estranho a muitos de nós .
No entanto , quando conseguimos , através da prática , perder a noção do espaço/tempo , podemos entender toda a teoria .
O estado meditativo , quando alcançado , nos remete a lugares inimagináveis dentro e fora de nós . Se lembrarmos que existe apenas uma consciência no homem , que é a consciência cósmica e que seu fluxo penetra cada um de nós , por que não se entregar a esse fluxo de energia e deixar que a natureza trabalhe e caminhe tranquilamente em direção ao nosso crescimento ? Por que insistimos em resistir a essa entrega ? Quais são nossos medos , afinal ? A que estamos tão atrelados que não conseguimos dar o grande passo à frente ?
Somos antes de tudo seres espirituais atrelados a um corpo material carregado de dores e expectativas com relação ao futuro . E lutamos bravamente para manter esse estado de desequilíbrio . E reclamamos e nos queixamos diariamente que não somos felizes . No entanto , nenhum passo é dado efetivamente em direção ao amor , à consciência de si e do outro , da Mãe Terra e do Universo . Sofremos porque não mudamos de fato . Mudar não é abrir mão de nossas ambições e dos nossos amores , mas tornar parte de nossas vidas a vida do espírito que habita em nós .
Enquanto esse passo não for dado individualmente , não temos o direito de reclamar da inércia e ausência de amor deste momento planetário que vivemos e que certamente foi criado por nós .
Texto : Eunice Ferrari
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