terça-feira, 30 de junho de 2009

A Busca do Divino no Homem Ocidental ! Parte 6

Uma sociabilidade comprometida e sem raízes .
Mais do que qualquer outro invento , o relógio mecânico - cuja invenção data do século XIV - , é o resultado de uma estreita e feculda convergência de conhecimento científico , em particular da astronomia e da mecânica , com o engenho técnico . E esta convergência é já uma das características fundamentais da modernidade , visto indicar a autonomia de uma indagação racional em relação a um saber transcendente e mítico . Daí a natureza escandalosa deste invento e as proibições de que os seus autores começaram a ser alvo por parte da Igreja , como todo o imaginário efabulador que as rodeavam .
Até ao século XIV , havia na Europa duas maneiras de contagem de tempo : o sistema canónico e o sistema dito temporário . O sistema canónico consistia na regulação das horas pelo sino que chamava para os ofícios religiosos , sete vezes por dia , por altura das orações regulares de Matinas ( a meio da noite ) , de Primas ( cerca das atuais 6 horas da manhã ) , das Laudes ( ao nascer do Sol ) , de terças ( pelas 9 horas ) , das Sextas ( pelas 12 horas ) , das Nonas ( pelas atuais 15 horas ) , das Vésperas ( ao pôr do Sol ) e das Completas ( ao deitar ) .
O sistema temporário , por seu lado , dividia as 24 horas do dia em duas metades isócronas , correspondendo o ponto de partida da divisão ao nascer do sol . A distância entre as horas do sistema temporário variava , assim , de acordo com as estações do ano e com a latitude em que nos encontrássemos . Em cada manhã , a tarefa de dividir o dia e de regular o pêndulo comum revestia-se , por conseguinte , de uma grande importância para o ritmo da vida de toda a comunidade , pois dessa função dependia o ritmo dos trabalhos e de todas as práticas coletivas .
A experiência coletiva tradicional é , aliás , pontuada por diversos ciclos : a alternância dia/noite , a secessão das semanas e das estações do ano , etc . Esta periodicidade sem fim , o devir cíclico dos ritmos da vida são associados com a Lua , que controla as águas , a chuva , a vegetação , a fertilidade ... Os ritmos lunares são a medida do tempo e os primeiros calendários são lunares . Da mesma forma , o percurso anual do Sol marca o início de um novo ano e , portanto , a altura de recriar a fundação original do mundo imitando a Cosmogonia fundadora .
A invenção do relógio mecânico e a redução cronométrica da duração do tempo a uma sucessão estereotipada de batimentos uniformes , a uma pura sucessão rítmica de momentos homogéneos , estava destinada a desempenhar um papel fundamental no devir das nossas sociedades ocidentais . Há , inclusivamente , quem lhe atribua a responsabilidade pela viragem na nossa modernidade .
A duração torna-se , assim , graças a este novo dispositivo cronométrico , pura potencialidade , aberta em permanência a toda a espécie de projetos , na medida em que esvazia a temporalidade de toda e qualquer duração concreta de sociabilidade . Não sendo já o tempo de ninguém , o tempo cronométrico e o ritmo que imprime à vida coletiva tornam-se o tempo e o ritmo de toda gente .
Nas sociedades tradicionais , o tempo é vivido como pleno , uno e indiviso . Esta plenitude da experiência do tempo traduz-se na referência do presente aos tempos originários fundadores ,
associados à própria origem cósmica do universo . Situado fora da temporalidade efémera da vida , marcada pela experiência limite da morte ( esta muitas vezes encarada como uma transição e não verdadeiramente um fim ) , o tempo mítico originário assegura , como vimos , a coerência e a inteligibilidade do mundo humano .
A constratar com a concepção una , plena e indivisa da temporalidade que encontramos nas sociedades tradicionais , assistimos nas sociedades modernas a um processo de divisão do tempo , análogo ao que se fez com o espaço . A divisão moderna do tempo apresenta , nomeadamente , as seguintes características : autonomização positiva do presente em relação à memória do passado e aos projetos do futuro , estereotipização dos ritos sociais , estratégia amnésica .
A autonomização positiva do presente equivale à prossecução de uma espécie de processo interminável de libertação do sujeito em relação à memória do passado , encarado como coação às virtualidades de autonomia do sujeito na fruição plena de cada um dos momentos da experiência .
O homem moderno dá prioridade à plena fruição das oportunidades que se lhe abrem atualmente e faz depender dessa fruição a plenitude da sua autinomia e a sua realização pessoal , valores centrais e indiscutíveis da visão moderna do mundo .
Ao contrário do mundo tradicional , que procura o restabelicimento de uma ordem ancestral e transcendente , o homem moderno intervém no presente no sentido de cortar as amarras com tudo o que o impeça de valer por si e fazer eclodir as oportunidades que se lhe oferecem . A racionalidade funcional torna-se , assim , o princípio da ação e da linguagem modernas e estende-se aos mais diversos domínios da experiência , tanto do mundo exterior como do mundo interior . São , assim , relegados para o domínio individual o prosseguimento das funções totalizantes da experiência . Já não contam tanto as solidariedades fundamentadas pela partilha de um território e de um tempo comuns , mas a partilha de projetos comuns autónomos e privados . O encontro e o convívio até podem ser alargados indefinidamente , mas este alargamento faz-se de uma escolha individual de modo a serem privilegiadas a evasão e a ruptura em relação às estratégias que ditam o modo de funcionamento dos processos coletivos .
Numa frase : o homem passa a relacionar-se individualmente com outros indivíduos por afinidades eletivas , formando redes de sociabilidade privadas entre quem partilha de hobbies , interesses e preferências comuns .

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A Busca do Divino no Homem Ocidental ! Parte 7

A religiosidade do homem não-religioso e as novas formas de " religare " a Deus .
Será o homem moderno realmente não-religioso ?
O homem religioso assume um modo de existência específica no mundo , e apesar da diversidade formas histórico-religiosas , este modo específico é sempre reconhecível . Em qualquer contexto histórico , o homo religiosus crê sempre que existe uma realidade absoluta , o sagrado , que transcende este mundo mas que se manifesta neste mundo , e , por este fato , o santifica e o torna real . Crê , além disso , que a vida tem uma origem sagrada e que a existência humana atualiza todas as suas potencialidades na medida em que é religiosa , i.e . , na medida em que participa da realidade .
O homem moderno a-religioso assume uma nova situação existencial : reconhece-se unicamente sujeito agente da história , e recusa todo o apelo à transcendência . Dito por outras palavras , não aceita nenhum modelo de humanidade fora da condição humana , tal qual ela se deixa decifrar nas diversas situações históricas . O Homem faz-se a si próprio , e não consegue fazer-se completamente senão na medida em que se dessacraliza e dessacraliza o mundo . O sagrado é o obstáculo por excelência diante da sua liberdade . O homem só se tornará ele próprio no momento em que tiver matado o seu último Deus .
No entanto , o homem moderno descende do homo religiosus , e queira-o ou não , é também um resultado das situações assumidas pelos antepassados . Assim como a Natureza é o produto de uma secularização progressiva do Cosmos obra de Deus , assim o homem profano é o resultado de uma dessacralização da existência humana . Mas isto quer dizer que o homem a-religioso se constitui por oposição ao seu predecessor , esforçando-se por se " esvaziar " de toda a religiosidade e de toda a significação trans-humana . Reconhece-se a si próprio na medida em que se liberta e se purifica das " superstições " dos seus antepassados .
Por outras palavras , o homem profano , queira-o ou não , conserva ainda os vestígios do comportamento do homem religioso , mas esvaziado das significações religiosas . Faça o que fizer , é um herdeiro . Não pode abolir definitivamente o seu passado , porque ele próprio é o produto desse passado .
Para dispor de um mundo para si , dessacralizou o mundo em que os seus antepassados viviam mas para chegar aí , foi obrigado a tomar o inverso de um comportamento que o precedia , e este comportamento sente-o ele sempre , sob uma forma ou outra , prestes a reatualizar-se no mais profundo do seu ser .
A maioria dos homens modernos ainda se comporta religiosamente , se bem que não esteja consciente desse fato . Não se trata somente da massa das " superstições " ou dos " tabus " do homem moderno , que têm todos uma estrutura e uma origem mágico-religiosas .
O homem moderno que se pretende não-religioso dipõe ainda de toda uma mitologia camuflada e de numerosos ritualismos degradados ( festejos de ano novo , inauguração de uma casa , se bem que laicizados , têm a estrutura de um ritual de renovação ; festas e alegrias que acompanham um casamento ou o nascimento de uma criança , a obtenção de um novo emprego ou de uma subida na escala social , etc . )
Os mitos do homem moderno estão camuflados nos espetáculos que ele prefere , nos livros que ele lê . Até a leitura comporta uma função mitológica , ao permitir a " saída do tempo " comparável à efetuada pelos mitos , projetando-o fora do seu tempo pessoal e integrando-o noutros ritmos , fazendo-o viver uma outra " história " .
A grande maioria dos " homens sem religião " não está , em rigor , liberta dos comportamentos religiosos , das teologias e das mitologias . Por exemplo , o nudismo ou os movimentos a favor da liberdade sexual absoluta , são ideologias onde é possível decifrar os vestígios da " nostalgia do paraíso " , o desejo de reintegrar o estado edénico de antes da queda onde o pecado não existia e não havia ruptura entre as beatitudes da carne e a consciência .
Persistem ainda diversas encenações iniciáticas em numerosas ações e gestos do homem não-religioso dos nossos dias . Mesmo técnicas especificamente modernas , como a psicanálise , mantêm ainda o padrão iniciático . O paciente é convidado a descer muito profundamente em si mesmo , a fazer reviver o seu passado , a afrontar de novo os seus traumatismos e - , do ponto de vista formal , esta operação perigosa assemelha-se às descidas iniciáticas aos " infernos " , entre os espectros , e aos combates com os " monstros " . Assim como o iniciado devia " morrer " e " resuscitar " para poder aceder a uma existência plenamente responsável e aberta aos valores espirituais - a análise dos nossos dias deve afrontar o seu próprio " inconsciente " , assediado de espectros e de monstros , para encontrar nisso a saúde e a integridade psíquicas , e por consequência , o mundo de valores culturais .

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A Busca do Divino no Homem Ocidental ! Parte 8

A iniciação está tão estreitamente ligada ao modo de ser da existência humana que um número considerável de gestos e de ações do homem moderno ainda repetem os quadros iniciáticos . A " luta pela vida " , as " provas " e as " dificuldades " que entravam uma vocação ou uma carreira repetem de algum modo as práticas iniciáticas : é em consequência do " sofrimento " que um jovem se experimenta a si próprio , conhece as suas possibilidades , toma consciência da sua força e acaba por tornar-se ele próprio espiritualmente adulto e criador .
O homem profano é o descendente desse homo religiosus e não pode anular os comportamentos dos seus antepassados ; além disso , uma grande parte da sua existência é alienada por pulsões que lhe chegam do mais profundo do seu ser , desta zona que se chamou o inconsciente .
Como Carl Gustav Jung concluiu , os conteúdos e as estruturas do inconsciente apresentam similitudes surpreendentes com as imagens e as figuras mitológicas . Os conteúdos e as estruturas do inconsciente são o resultado das situações existenciais imemoriais , sobretudo das situações críticas , e é por essa razão que o inconsciente apresenta uma aura religiosa . Toda a crise existencial põe de novo em questão ao mesmo tempo a realidade do mundo e a presença do homem no mundo : isto quer dizer que a crise existencial é , em suma , religiosa , visto que , aos níveis arcaicos de culturas , o ser confunde-se com o sagrado .
A religião é a solução exemplar de toda a crise existencial , porque é a experiência do sagrado que funda o mundo . Solução exemplar , não somente porque é indefinidamente repetível , mas também porque é considerada de origem transcendental e , por consequência , valorizada como uma revelação recebida de um outro mundo , trans-mundo . A solução religiosa não somente resolve a crise , mas ao mesmo tempo torna a existência " aberta " a valores que já não são contingentes nem particulares , permitindo assim ao homem ultrapassar as situações pessoais e , no fim de contas , o acesso ao mundo do espírito .
Até o homem mais profundamente a-religioso partilha ainda , no mais profundo do seu ser , de um comportamento religiosamente orientado . Mas as " mitologias " privadas do homem moderno-os seus sonhos , os seus devaneios , os seus fantasmas , etc . - não conseguem alçar-se ao regime ontológico dos mitos , justamente porque não são vividos pelo homem total e , por consequência , não transformam uma situação particular em situação exemplar . Do mesmo modo como as angústias do homem moderno , as suas experiências oníricas ou imaginárias , bem que " religiosas " do ponto de vista formal , não se integram , como entre o homem religioso , numa concepção do mundo e não fundam um comportamento .
A atividade inconsciente do homem moderno não cessa de lhe apresentar inúmeros símbolos , e cada um tem certa mensagem a transmitir , uma certa missão a desempenhar , tendo em vista assegurar o equilíbrio da psique ou restabelecê-lo . O símbolo não somente torna o mundo " aberto " , mas ajuda também o homem religioso a acender ao universal . Porque é graças aos símbolos que o homem sai da sua situação particular e se " abre " para o geral e para o universal . Os símbolos despertam a experiência individual e transmundam-na em ato espiritual , em compreensão metafísica do mundo . Compreendendo o símbolo , o homem das sociedades pré-modernas consegue viver o universal .
O homem a-religioso das sociedades modernas é ainda alimentado e ajudado pela atividade do seu inconsciente , sem que por isso aceda a uma experiência e a uma visão do mundo propriamente religioso . O inconsciente oferece-lhe soluções para as dificuldades da sua própria existência , e neste sentido desempenha o papel da religião , porque , antes de se tornar uma existência criadora de valores , a religião assegura-lhe a integridade . De um certo ponto de vista , quase poderia dizer-se que , entre aqueles modernos que se proclamam não-religiosos , a religião e a mitologia estão " ocultas " nas trevas do seu inconsciente - o que quer dizer também que as possibilidades de reintegrar uma experiência religiosa da vida jazem , em tais seres , muito profundamente neles próprios .
Por isso , e em resposta à pergunta " Será o homem moderno realmente não-religioso ? " , este texto avança com uma hipótese de resposta : " não ! " . De uma concepção sagrada da experiência a um racionalismo exacerbado , com todas as consequências que daí advieram , encontramo-nos agora num ponto de viragem , num momento crítico da existência humana . E isto , porque o sentimento religioso é uma realidade universal , intemporal e comum a todos os homens sem excepção - por muito " desconectados " que estejam dessa sua dimensão interior .

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A Busca do Divino no Homem Ocidental ! Parte 9

Ao " cortar " a ligação com o sagrado , o homem alimentava a ilusão de que a razão lhe explicaria tudo e lhe conferiria sentido à experiência . O momento atual é o da desilusão face às respostas que o racionalismo prometia fornecer . Desencantadas com esse racionalismo , cada vez mais pessoas procuram formas de se " religarem " ao divino , ao sagrado , como numa tentativa de recuperarem o " tempo perdido " por séculos de uso da mente analítica . Porque , como vimos , o substrato do sentimento religioso se mantém oculto no interior do homem .
O que nos conduz à questão seguinte : a necessidade de " religião " é algo de intrinsecamente humano e tal como o rio que contorna todos os obstáculos para chegar ao mar , assim essa necessidade do homem derrubará todas as formas concretas de manifestação de religiosidade para chegar ao contato com o divino . Porque as formas são cada vez mais , em meio de tudo isso , a parte acessória da religião e , por isso , não-essencial . O essencial mantém-se de forma una , indivisa , perene e imutável ; as formas mudam , sofrem atualizações ao longo do tempo e são indissociáveis dos contextos históricos-culturais em que se produzem .
A tendência é para o homem estar cada vez mais liberto das formas de manifestação e objetivação do sagrado no mundo e mais atento ao conteúdo do sentimento religioso no interior do próprio Homem . " Deus " ou a Verdade estão cada vez mais no interior do Homem , à espera de serem reconhecidos , admitidos , relembrados , retomados pela consciência que esqueceu e foi buscar " fora " algo que está necessariamente " dentro " .
Nas palavras magistrais de Jiddu Krishnamurti , " A verdade é uma terra sem caminho . Os homens dela não se podem aproximar por qualquer organização , por qualquer credo , por qualquer dogma , sacerdote ou ritual , nem por qualquer conhecimento filosófico ou técnica psicológica . O Homem tem de encontrar a verdade através do espelho das relações , através do percebimento do conteúdo da sua própria psique , pela observação , e não por qualquer dissecação intelectual e analítica ! " ( J . Krishnamurti , 1929 )
Compreende-se , neste contexto , que se estejam por toda a Europa recuperando as filosofias antigas , nomeadamente as orientais , e também desenvolvendo neo-filosofias orientalistas , inspiradas nessas filosofias arcaicas ( e até fazendo um trabalho de bricolage , tipicamente moderno , com elementos retirados das várias tradições místicas ) - porque são filosofias introspectivas e de auto-conhecimento ; mas também desenvolvendo técnicas , recuperando mitologias explicações do mundo e linguagens simbólicas que visam permitir ao homem moderno reencontrar " deus " , o " sentido " e a " verdade " , que são os três aspectos indissociáveis que o homem busca no sagrado , numa tentativa de recuperar a fé e um equilíbrio psíquico e emocional que o racionalismo não permitiu atingir - dado , pela sua própria natureza , não dar espaço à inclusão da dimensão " irracional " do homem .
Neste processo de " busca desenfreada do tempo perdido " , o homem tenta recuperar tradições negligenciadas pelo racionalismo ocidental no decurso da história : é o caso da recuperação do budismo , do taísmo , do yoga , das técnicas de meditação , dos rituais da magia e da religião pagãs ( o chamado neopaganismo , ou wicca ) ; da ( re ) descoberta da astrologia como linguagem simultaneamente simbólica , transcendente e psicanalítica ; do crescente recurso às denominadas " medicinas alternativas " e de naturopatia ; mas também da integração de uma panóplia de conceitos , confusamente misturados , recolhidos das diversas religiões ancestrais . Cada vez mais pessoas , hoje em dia , falam de karma , reencarnação , energias cósmicas , avatares , zen , ashram , mandalas ...
O que alguns chamam de movimento " New Age " , ou da Nova Era , é a redescoberta que o homem está a fazer do sagrado , não já no exterior , mas no interior de si próprio . E a descoberta de um " deus imanente " , interior , e não já de um " deus transcendente " cujos vestígios há que buscar no mundo .
Esta descoberta de que o homem " leva deus dentro " altera radicalmente a relação do homem com a natureza , com os outros homens e consigo próprio . O Homem aproxima-se de " deus " na medida em que se afasta dos seus padrões de comportamento equívocos , baseados no medo , no instinto de sobrevivência , e em tudo o que é inconsciente - tudo o que em si é obscuro e não tem " luz " . O homem aproxima-se de " deus " à medida a que atualiza os seus potenciais criativos , produtivos , relacionais , de dádiva , de compaixão , de perdão e de cura . Atributos outrora exclusivos de deus , e agora os reptos do homem moderno . É ao homem que cabe " ser " deus , ou deixar " deus " atuar por seu intermédio .

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A Busca do Divino no Homem Ocidental ! Parte 10

E nessa ( re ) descoberta tipicamente moderna , e mormente por estar enquadrada por uma enorme crise de referências espirtuais e de valores transcendentes , há espaço para todas as confusões e para todas as iluminações ; há espaço para visões apocalíticas , gurus cheios de glamour , seitas e religiões que se fundam de um dia para o outro - tal como diria alguém que o autor conhece , reformulando uma célebre máxima de Karl Marx e adaptando-a à confusão espiritual dos tempos que correm , " a Nova Era é o ópio do povo " .
Mas também há o espaço para a auto-descoberta , para a observação consciente do numen e o comprometimento com a própria evolução , numa jornada pessoal de tomada de consciência e de ascenção na matéria . As condições estão criadas : cabe a cada um de nós , individualmente , tomar as rédeas do próprio destino e fazer por atualizar no mundo o deus que traz dentro .
A busca do Divinosujeito se tornem atuais . Assim como Sócrates conduzia os jovens , pela maiêutica , a conhecer o que estava contido em suas almas , de modo igual , Tomás acredita que aprendizagem não é transmissão de conhecimento de mestre a discípulo , mas condução a tal conhecimento .

Conclusão :
Estes Ensinamentos , estão alem de uma simples proposta pedagógica no sentido de colocar o indivíduo a participar simplesmente através de uma interação junto a sociedade organizada . Eles visam colocar o indivíduo em contato com sua natureza superior divina onde está localizado a Consciência . Se tais ensinamentos forem adquiridos , o indivíduo passa de objeto a sujeito e nesta posição ou com esta visão , consegue ser guia para a sociedade comum , cujo tal feito ainda não foi ancançado . Aqui ele estará apto a praticar a mais elevada ética e dedicar-se aos seus semelhantes . E o ensino e o aprendizado ideal para que a natureza humana possa alcançar aquilo a qual está destinada ou seja , a verdadeira liberdade . Quando os indivíduos são livres , a sociedade é livre .

Fundamentos Históricos e Filosóficos da Educação .

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terça-feira, 23 de junho de 2009

Fundamentos Históricos e Filosóficos da Educação !

Desde seu surgimento até os dias atuais , a problemática pedagógica acompanha intimanente a gênese Social , Política e Cultural da Sociedade organizada . Isso porque a educação é encarregada de promover a formação do homem , como sujeito capaz de atuar e interagir no âmbito social . A educação vem , pois , como uma ferramenta indispensável para amparar e sustentar a base da sociedade organizada . Ao mesmo tempo , ela deve conduzir o indivíduo a plena realização de suas potencialidades .
Não ignorando outros períodos e tantos pensadores , o período medieval , e o cristianismo como Modelo pedagógico e sua influência na História humana , será aqui o foco de nossa análise . Em todos os períodos da história em relação a pedagogia , podemos perceber diversas contribuições e tentativas de fornecer uma determinada direção para a aquisição de se conhecer e ensinar algo .
Os Ensinamentos nos moldes Cristão , pensamos influenciar um enorme percentual das mentes ocidentais , visto que nossa formação religiosa é quase em sua totalidade a formação cristã . Sendo assim , o pensamento em torno das idéias e dos ensinamentos do Cristo nos parecem mais proveitosas .
A importância colocada em relação ao próximo , indica ao mesmo tempo uma preocupação com o indivíduo e ao mesmo tempo , uma preocupação com a sociedade , visto que a mesmaé formada por ambos , " eu " e o próximo . Desta forma podemos encontrar aqui neste sistema uma situação que inclui tanto o individual como o coletivo e por este motivo considera-la neste aspecto como um modelo perfeito . Neste período do nosso contexto histórico , destacam-se dois pensadores de grande importância .
Santo Agostinho representando a patrística , e Santo Tomas de Aquino representando a escolástica . Vamos conhecer algumas de suas idéias com relação aos ensinamentos no qual defendiam como sendo fundamental ao ser humano .

Santo Agostinho
Na sua obra confissões , Agostinho praticamente esboça o caminho da formação cristã , pois o caminho ascendente a Deus é o mesmo da autoformação . Com efeito , a alma deve tornar-se apta para a iluminação . Segundo Agostinho , os conhecimentos e os saberes adquiridos são frutos do despertar pelo mestre , que se identifica com a figura do Cristo . Sobre sua doutrina cristã , Agostinho insiste em uma formação enciclopédica baseada nos diversos conhecimentos e saberes que devem iluminar e fazer consciente a viagem do cristão a Deus ... Agostinho inspira-se na idéia de que o discípulo não aprende o que o mestre enuncia na sua fala ( pois este é incapaz de ensinar ) . Ele apenas conduz e guia o discípulo para recordar o que já sabe , ou seja , o que o mestre interior lhe conferiu ...

Santo Tomás de Aquino
Ensinar nada mais é do que provocar conhecimento de algo em outrem . Ora , sujeito do conhecimento é o intelecto . Mas os sinais sensíveis mediante os quais o homem parece possa ser ensinado não atigem o intelecto , mas permanecem na potência sensitiva . Logo , um homem não pode ser ensinado por outro homem .
Se um homem ensina a outro é necessário que se torne de conhecedor em potencial , a conhecedor em ato . Logo é preciso que seu conhecimento seja levado de potência ao ato . O que porem , passa do potencial ao ato necessariamente muda ( AQUINATIS , 1953 p. 223-224 )
Portanto , podemos compreender , a partir dos trechos supracitados , que , na visão Tomista , cabe ao mestre cultivar o intelecto do discípulo , para que este realize a passagem de potencia ao ato .
Ou seja , conduzir o processo de formação para que as faculdades de potência de conhecer do sujeito se tornem atuais . Assim como Sócrates conduzia os jovens , pela maiêutica , a conhecer o que estava contido em suas almas , de modo igual , Tomás acredita que aprendizagem não é transmissão de conhecimento de mestre a discípulo , mas condução a tal conhecimento .

CONCLUSÃO
Estes ensinamentos , estão alem de uma simples proposta pedagógica no sentido de colocar o indivíduo a participar simplesmente através de uma interação junto a sociedade organizada . Eles visam colocar o indivíduo em contato com sua natureza superior divina onde está localizado a Consciência . Se tais ensinamentos forem adquiridos , o indivíduo passa de objeto a sujeito e nesta posição ou com esta visão , consegue ser guia para a sociedade comum , cujo tal feito ainda não foi alcançado . Aqui ele estará apto a praticar a mais elevada ética e dedicar-se aos seus semelhantes . É o ensino e o aprendizado ideal para que a natureza humana possa alcançar aquilo a qual está destinada ou seja , a verdadeira liberdade . Quando os indivíduos são livres , a sociedade é livre .


TEXTO : Marcos Modesto

Aluno de Filosofia do Claretiano :

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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Vem , Jesus Nazareno !

Há longos meses , meu querido Mestre , que venho seguindo a teu lado , pelas montanhas da Galiléia , pelas campinas da Samaria , cidades da Judéia , pelas ruas de Jerusalém .
No fim destas páginas , que vivi e sofri contigo e por ti , só me resta pedir-te perdão das inúmeras falhas e imperfeições de que elas vêm repletas , e rogar-te que , com a tua divina sabedoria , supras a minha humana ignorância .
Jesus Nazareno !... Estamos com saudades de ti ...
Já não podemos viver sem ti ...
A babel da sociedade moderna suspira pela paz das tuas palavras ...
As nossas saudades soluçam pungentes de dor e desventura ...
Estamos cansados dos nossos pecados ... enjoados dos nossos vícios ... nauseados das brilhantes futilidades do mundo ...
Volta a este mundo , ó Jesus Nazareno !... Volta , aureolado daquele encanto primaveril , daquele frescor juvenil , daquele fulgor estelar que , há vinte séculos , arrebataram o coração varonil de um Simão Pedro , enlevaram a alma contemplativa de um João Evangelista , o coração de Maria de Mágdala ...
Jesus Nazareno !... Torna a ser para os filhos do século XX o que foste para os cristãos das catacumbas , para os mártires do coliseu , para os místicos do ermo ...
Jesus Nazareno !... A história destes vinte séculos é a continuação da tua peregrinação terrestre . Os homens maltratam-te ... Esbofeteiam-te ... Flagelam-te em praça pública ... Coroam-te de espinhos ... Arrastam-te de tribunal a tribunal , da astúcia de Anás à insolência de Caifás , da covardia política à escandalosa luxúria de Herodes ...
Crucificam-te ... Sepultam-te na indiferença e no esquecimento ...
Os Iscariotes atraiçoam-te ...
Os Simão Pedro negam-te ...
Os fariseus insultam-te ...
Os discípulos abandonam-te ...
Tu sabes , meu querido Rabi , quão difícil é descobrir através dos nevoeiros do presente século o FULGOR DOS TEUS OLHOS ...
Amesquinhada pela humana fraqueza , desmaiou a pulcritude do teu perfil ...
A simplicidade do teu Evangelho está reduzida a uma teia de exterioridades , a um labirinto de formalismos , em que o espírito se desnorteia e a alma agoniza asfixiada ...
Os homens procuram modelar à sua imagem e semelhança a divina epopéia do teu Evangelho ...
Os homens não querem subir às alturas --- querem que tu desças às baixadas deles .
O teu Evangelho foi substituído pelas teologias . A tua bandeira flutua sobre o quartel-general do anticristo .
A imprensa , a literatura , o cinema , a televisão te reduziram a uma caricatura ...
Volta , pois , Jesus Nazareno ! Volta a este mundo que só tu podes salvar ...
Encontrarás maior número de fariseus do que naquele tempo ; não passarás três anos de vida pública sem seres crucificado ; porque os teus lábios proferem verdades dolorosas , verdades contrárias aos ídolos do coração humano e aos fetiches proteiformes da sociedade ; a suprema simplicidade do teu caráter nunca se aviltou a ponto de pactuar com a política penumbrista das atitudes covardes e das posições indefinidas --- e os homens não te perdoarão jamais essa sinceridade ...
Por isso , meu Jesus , serás crucificado pelos fariseus do nosso século .
Os judeus crucificaram uma vez o teu corpo --- mas os cristãos crucificam o teu espírito há quase vinte séculos .
Nós , porém , os teus discípulos , estaremos como guarda de honra ao pé da tua cruz e nos cobriremos com o manto sanguinolento dos teus opróbrios ...
O que importa , Senhor , é que venhas quanto antes para infundir vida nova a este organismo languescente e doente da sociedade moderna ...
É necessário que venhas reintegrar o teu Evangelho na suprema beleza daquela simplicidade com que brotou dos teus lábios divinos ...
Vem , Jesus Nazareno !...

Texto : Huberto Rohden
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